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João Carlos Martins | Apresentação
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Antes de se tornar Maestro, João Carlos Martins lutava contra a frustração de ter parado a sua principal actividade, o piano.
A história do pianista João Carlos Martins eleva-o, certamente, a um patamar raramente alcançado por outros músicos brasileiros no século XX. Em Setembro de 1982, o exigente jornal New York Times referiu-se a ele como um dos maiores pianistas da actualidade. Já a revista New York Magazine, juntamente com o Boston Globe, ressaltavam o talento de João Carlos Martins, colocando-o como o mais excitante intérprete de Bach a surgir depois do legendário Glenn Gould.
Todos os dias, caminha enquanto estuda partituras, sobe e desce os degraus do seu apartamento, no carro, na sala, em jantares, almoços, as suas mãos estão sempre a acompanhar o ritmo que insiste em percorrer na sua mente.
As áreas que trabalha passam pelo Foco no Resultado, pela Resiliência, a Superação e o Trabalho em Equipa.
Um vida repleta de obstáculos que sempre ultrapassou duma forma quase inacreditável, utilizando as dificuldades a seu favor, sendo uma exemplo quase único de superação.
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Ansiosamente, o público aguarda. A Orquestra entra, curva-se, o Spalla apresenta-se enquanto corações eufóricos esperam a entrada do Maestro. Sorrindo, João Carlos Martins caminha em direcção ao seu posto, ao som das palmas da plateia fiel. Vira-se para a sua Orquestra, fecha os olhos num gesto de concentração, ao mesmo tempo que ergue as mãos sem a batuta e, como em transe, invoca a música que envolverá as pessoas que ali têm o privilégio de estar presentes. Neste concerto, igual a todos os outros que regeu, João Carlos Martins não pode olhas para as partituras, passou horas a decorar aquelas notas. Antes de se tornar Maestro, João Carlos Martins lutava contra a frustração de ter parado a sua principal actividade, o piano.
- “Eu estava sem rumo, em 2003, já sabendo que não poderia mais tocar nem com a mão esquerda. Sonhei então, que estava tocando piano, com o Eleazar de Carvalho, que me dizia: - vem para cá, que eu vou te ensinar a reger”, disse numa entrevista. Sabia, porém, que não seria uma mudança fácil, já que as suas mãos jamais conseguiriam segurar uma batuta ou mesmo virar as páginas de uma partitura.
- “São milhões de notas e tudo isso eu sempre tive totalmente memorizado, enquanto era pianista. E, agora comecei minha vida na regência, então, estou começando tudo de novo, estou correndo atrás do prejuízo, já que nunca regi na vida”, conta noutra entrevista. O seu perfeccionismo como pianista transborda na sua vida de Maestro.
Todos os dias, caminha enquanto estuda partituras, sobe e desce os degraus do seu apartamento, no carro, na sala, em jantares, almoços, as suas mãos estão sempre a acompanhar o ritmo que insiste em percorrer na sua mente. Seus dois primeiros CDs como Maestro, já lançados no Brasil e no mundo, mostram com nitidez a perfeição que João Carlos busca em todas suas obras. Sempre marcado por Johann Sebastian Bach, João Carlos gravou em 2004 “The Brandenburg Concertos” em Londres na Igreja St. Jude, com a aclamada English Chamber Orchestra.
O CD “Orchestral Suites” , o seu disco com a Bachiana Chamber Orchestra, foi gravado no Colégio Humbold em São Paulo, em Dezembro de 2004. E no final de alguns concertos, quando a sua mente e os seus dedos entram em rara sintonia, ele anuncia que tentará tocar o piano por poucos minutos. Os quatro dedos que se encostam ao piano aguentam 4 longos minutos, nos quais o público aproveita para derrubar algumas lágrimas de emoção. É nítida a dor que João Carlos sente, física talvez, mas mais forte pelo carinho que sempre terá pelo instrumento que tanto respeitou...
A história do pianista João Carlos Martins certamente o eleva a um patamar raramente alcançado por outros músicos brasileiros no século XX. Em Setembro de 1982, o exigente jornal New York Times referia-se a ele como um dos maiores pianistas da actualidade. Já a revista New York Magazine, juntamente com o Boston Globe, ressaltavam o talento de João Carlos Martins, colocando-o como o mais excitante intérprete de Bach a surgir depois do legendário Glenn Gould.
Toda esta relação lírica tecida com o piano teve início aos 8 anos de idade, quando João Carlos Martins passou a estudar com o professor José Kliass. Após 9 meses já se mostrava um virtuoso, vencendo o concurso da Sociedade Bach de São Paulo. Jovem ainda, despertou a atenção de toda a crítica musical brasileira com as suas performances, únicas pela intensidade com que eram interpretadas. Aos 18 anos foi o único escolhido no Festival Casals, entre candidatos das três Américas, a dar o Recital Prémio em Washington. A apresentação bem-sucedida teve como consequência a sua estreia no Carnegie Hall, de Nova Iorque, patrocinada pela ex-primeira-dama dos Estados Unidos, Eleonor Roosevelt.
A partir de então, passou a tocar com as maiores orquestrar americanas. E a gravação que fez de O Cravo Bem Temperado, de Bach, aos 23 anos, foi best-seller durante muito tempo nos Estados Unidos.
Em 1983, João Carlos Martins inaugurou o Glenn Gould Memorial, em Toronto, Canadá. A sua carreira teve como um dos pontos altos o facto de ter gravado a obra completa de Bach para teclado.
A paixão de João Carlos Martins pela música originou o documentário franco-alemão ¨Martins Passion¨, vencedor de 4 Festivais Internacionais. E esta mesma paixãofez com que iniciasse a carreira de maestro, depois de vários problemas que prejudicaram a mobilidade das suas mãos para seguir com a profissão de pianista.
Em menos de um ano, já gravou 5 CDs que foram lançados internacionalmente em 2005. Três deles foram gravados com a English Chamber Orchestra em Londres. E os outros 2, com a Bachiana Chamber Orchestra, orquestra organizada e dirigida por João Carlos, que reúne alguns dos melhores músicos do Brasil. No dia 20 de Junho, o agora maestro fez sua estreia para o público europeu, quando regeu a Orquestra Sinfónica Pasdeloup, em Paris, numa programação dedicada a Beethoven, Rossini e Strauss.
Em 2006, além da sua agenda com a orquestra Bachiana no Brasil, João Carlos regeu na Argentina, França, Rússia, Bélgica e Estados Unidos.
Por Eugenio Goussinsk
Com uma enorme emoção no coração, conheci João Carlos Martins na noite do meu aniversário quando fiz 23 anos. O meu pai tinha-me perguntado se eu não me importava se fossemos jantar com alguns amigos seus.
Quando cheguei lá, vi-o, sentado à mesa ao lado da sua mulher. “- Mas pai, não é o João Carlos Martins? Nós vamo-nos sentar com ele, jura?” E aquele foi um dos jantares mais interessantes dos meus poucos anos de vida. Ouvia atentamente tudo o que aqueles cabelos grisalhos contavam, as suas histórias emocionaram-me, tocaram-me bem no fundo. João Carlos é um homem carismático. Carisma é, indubitavelmente o melhor atributo ao ex-pianista, que hoje, aos 65 anos, influencia jovens e velhos, homens e mulheres, clássicos e metaleiros, pessoas e pessoas.
Pai de Carlos Eduardo, João Carlos, Daniela e Patrick, avô de Giulia, Giovanna, Gabriela e Henrique. O seu pai, José, sempre foi o maior incentivador da sua carreira. Os seus irmãos seguiram carreiras de sucesso, e assim como João Carlos, todos tiveram alguma formação musical. Andar com ele na rua é uma experiência única. As pessoas reconhecem-no, sabem as suas histórias, emocionam-se, aproximam-se, querem ver se aquelas histórias todas são verdadeiras.
Uma ocasião, após uma palestra para médicos ortopedistas, um senhor aproximou-se e pede para beijar as mãos do Maestro, a sua influência na escolha profissional. A vida concedeu-lhe um dos maiores bens humanos e após alguns anos, começou a tirá-lo aos poucos, sofrimento após sofrimento. A sua sinceridade e a forma como ele se abre sobre seus problemas e superações, é digna. As suas mãos realmente são fechadas, a contrário do seu coração. As dores às quais foi submetido, físicas e talvez piores, as emocionais, sempre foram passageiras. Mesmo com todas as tristezas e frustrações ultrapassadas, João Carlos poderia ter se tornado num homem amargo, infeliz, ou até mesmo difícil. Mas não, João sabe sorrir o dia inteiro, sabe proferir apenas palavras carinhosas, sabe olhar da forma mais pura e sincera nos olhos de alguém. Seu exemplo de vida é tão marcante, tão profundo... Em qualquer situação difícil, lembro-me do que passou pela sua cabeça quando perdeu os seus maiores atributos, e assim consigo ver o dia com outras cores.
Desde o dia do meu aniversário considero-me uma pessoa honrada. Naquele dia, aos 23 anos, ganhei como presente estar perto de quem é, e sempre será, um grande ídolo. por Bianca Cutait
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A Saga das Mãos |
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A Saga das Mão conta a história do Maestro e Pianista João Carlos Martins, um ser humano excepcional apaixonado pela música - e pela música de Bach, em especial.
Trata-se de um livro sóbrio sobre superação e determinação, recheado de histórias comoventes e divertidas.
O leitor vai certamente ficar surpreendido com as mensagens de João Carlos Martins e ficará estupefacto com as suas idiossincrasias durante as gravações, a sua forma "louca" de ensinar, a sua obsessão em treinar ao teclado 20 horas por dia - inclusive sábados, domingos e feriados - o seu prazer pessoal pelo timbre dos pianos Baldwin (e não pelos Steinway), a sua coragem em enfrentar tratamentos médicos dolorosíssimos, enfim, a sua imensa vontade de brilhar.
É uma leitura fundamental para o exercício da perfeição.
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